Comentário de cidadão após reportagem da TV Surubim revela resistência de parte do setor empresarial à divulgação e acende alerta sobre isolamento e perdas invisíveis.
Após a publicação da reportagem da TV Surubim sobre a dificuldade de contato com fabricantes de confecção da cidade, um comentário feito por um cidadão trouxe um novo e importante elemento ao debate: a resistência explícita de parte dos empresários locais à comunicação e à divulgação de suas próprias marcas.
Segundo o relato, ao buscar patrocínio e apoio junto a empresas do setor, a resposta foi direta e repetida: “não precisamos de divulgação, nossos produtos se vendem sozinhos”. Em alguns casos, anunciar em meios de comunicação locais foi tratado apenas como uma forma de “ajuda”, e não como investimento ou estratégia empresarial.
Essa visão expõe um distanciamento perigoso entre produção e mercado. No cenário atual, a comunicação não é apenas um meio de vender produtos, mas uma ferramenta essencial para construir reputação, gerar confiança e manter canais abertos com clientes, parceiros e a própria sociedade.
Empresas que se recusam a dialogar acabam criando uma barreira invisível. O resultado é claro: profissionais deixam de procurar fabricantes locais, comunicadores evitam parcerias e oportunidades passam a ser direcionadas para empresas de outras cidades, mais acessíveis e abertas ao relacionamento como Toritama, Jatauba, Brejo da Madre de Deus, Pão de Açucar, Riacho das Almas, São Caitano, Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe.
Esse tipo de perda não aparece em números imediatos. Não surge como prejuízo contábil, mas se manifesta no enfraquecimento da marca, na redução de alcance e no isolamento progressivo do negócio. É o que especialistas chamam de prejuízo invisível — aquele que só é percebido quando já é tarde demais.
Em um ambiente onde plataformas digitais, televisão em nuvem e redes sociais são os principais meios de informação, ignorar a comunicação é, na prática, optar por não existir para grande parte do mercado. Quem não aparece, não responde e não dialoga simplesmente deixa de ser lembrado.
A comunicação local cumpre um papel que vai além da publicidade. Ela fortalece a economia regional, conecta empresas à população e contribui para o desenvolvimento coletivo. Quando esse elo é rejeitado, toda a cadeia produtiva sente os efeitos.
A TV Surubim, ao dar espaço a esse debate, reafirma seu compromisso com a informação, o desenvolvimento regional e a escuta da população. O comentário que originou este artigo não é uma crítica isolada — é o reflexo de uma percepção que vem se consolidando entre profissionais, consumidores e parceiros comerciais.
No mundo atual, não basta produzir bem. É preciso estar disponível, acessível e disposto a dialogar. Comunicação não é favor, não é vaidade e não é ajuda. É estratégia, é posicionamento e é sobrevivência.
Rony Santos